Queimadas e período seco: como proteger sua propriedade, entender a legislação e recuperar áreas após o fogo

Queimadas e período seco: como proteger sua propriedade, entender a legislação e recuperar áreas após o fogo

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Com a chegada do período seco, um risco silencioso volta a assombrar propriedades rurais e urbanas em todo o Brasil: as queimadas.

Na Zona da Mata Mineira, onde fragmentos de Mata Atlântica convivem com pastagens, áreas agrícolas e zonas periurbanas, o fogo pode se propagar rapidamente destruindo vegetação nativa, comprometendo nascentes e gerando passivos ambientais e jurídicos graves para o proprietário.

Neste artigo, abordamos os principais pontos que todo proprietário rural deve conhecer: como se prevenir, o que diz a legislação e o que fazer quando o dano já ocorreu.

O período seco e o risco de queimadas

Entre os meses de maio e outubro, a redução das chuvas e o ressecamento da vegetação criam condições ideais para o alastramento do fogo.

O vento seco, as altas temperaturas e o acúmulo de material combustível como folhas, galhos e gramíneas secas, podem transformar qualquer centelha em um incêndio de grandes proporções.

No contexto da Mata Atlântica, bioma que cobre a região de Juiz de Fora e a Zona da Mata Mineira, o impacto é ainda mais grave: trata-se de um dos biomas mais ameaçados do planeta, com apenas cerca de 12% de sua cobertura original remanescente.

Cada hectare queimado representa perda irreversível de biodiversidade, serviços ecossistêmicos e, muitas vezes, de anos de trabalho de restauração.

Como proteger sua propriedade nesse cenário

A prevenção é sempre o caminho mais barato e eficaz. Algumas medidas práticas fazem diferença:

Aceiros e faixas de contenção

O estabelecimento de faixas de solo exposto, livres de vegetação, ao redor da propriedade e de áreas de interesse funcionam como barreiras físicas contra o avanço do fogo. São especialmente recomendados em propriedades com pastagens próximas a fragmentos florestais.

Limpeza e manejo de vegetação

O controle periódico de gramíneas exóticas invasoras, como o capim-braquiária, reduzem a carga de combustível disponível diminuindo o risco de propagação.

Plano de ação preventivo

Identificação das áreas mais vulneráveis, contato com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros local.

Além disso, é importante orientar os seus colaboradores através de palestras de Educação Ambiental sobre os procedimentos em caso de foco de incêndio.

Atenção a queimas controladas

Mesmo em situações permitidas por lei, a queima controlada exige autorização prévia dos órgãos competentes.

Fogo sem controle é sempre responsabilidade do proprietário.

O que diz a legislação

A legislação brasileira é clara e rigorosa no que diz respeito ao uso do fogo e às responsabilidades decorrentes de incêndios em vegetação.

Principais leis sobre queimadas

O Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) proíbe o uso de fogo em vegetação, salvo em situações excepcionais regulamentadas.

O Decreto nº 2.661/1998 disciplina o uso do fogo em atividades agropastoris e florestais, exigindo licença prévia e adoção de medidas de segurança.

Já a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem provocar incêndio em mata ou floresta podendo chegar a seis anos se a ação for dolosa ou resultar em danos de grande proporção.

Responsabilidades sobre as queimadas

Além da responsabilidade penal, o proprietário pode responder civilmente pelos danos causados ao meio ambiente e a terceiros, e administrativamente, com multas que podem chegar a milhões de reais, aplicadas pelo IBAMA, pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais) ou pelo órgão municipal competente.

Um ponto importante: a responsabilidade ambiental é objetiva. Isso significa que, mesmo sem intenção, o proprietário pode ser responsabilizado se o incêndio tiver origem ou se alastrar a partir de sua propriedade por omissão ou negligência.

PRAD pós-fogo: a recuperação é obrigatória e estratégica

Quando o fogo já passou, a responsabilidade não termina, ela muda de fase. Áreas de vegetação nativa atingidas por incêndio, especialmente aquelas em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal, precisam ser recuperadas. É aqui que entra o Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

No contexto pós-fogo, o PRAD cumpre funções essenciais

O PRAD é um instrumento técnico-legal que estabelece o diagnóstico da área afetada, os objetivos da recuperação, as espécies recomendadas para o plantio (com ênfase em nativas regionais), as técnicas de manejo e o cronograma de implantação e monitoramento.

Sua elaboração é exigida pelos órgãos ambientais e deve ser conduzida por profissional habilitado.

  • Jurídica: regulariza a situação ambiental da propriedade junto ao CAR (Cadastro Ambiental Rural) e aos órgãos licenciadores, podendo extinguir ou reduzir autos de infração quando demonstra compromisso com a reparação;
  • Ecológica: orienta o restabelecimento da sucessão vegetal de forma técnica, aumentando a chance de recomposição efetiva da cobertura florestal;
  • Econômica: recuperar uma APP ou Reserva Legal protege as nascentes, reduz a erosão e valoriza o imóvel rural a longo prazo.

Na Zona da Mata Mineira, o PRAD deve considerar as espécies características da Mata Atlântica, as condições edafoclimáticas locais e o estágio de degradação da área.

O monitoramento contínuo é parte fundamental do processo e comprova a efetividade da recuperação perante os órgãos ambientais.

A Biosfera pode ajudar

Desde 2009, a Biosfera Consultoria Ambiental atua na Zona da Mata Mineira com serviços técnicos de excelência em licenciamento ambiental, inventário florestal, monitoramento e recuperação de áreas degradadas.

Nossa equipe está preparada para apoiar proprietários rurais e empresas em todas as etapas, da prevenção ao PRAD pós-fogo.

Se sua propriedade foi atingida por incêndio, ou se você quer se preparar antes que o período seco chegue, entre em contato com a Biosfera.

Conectar a sociedade ao meio ambiente, com responsabilidade técnica e compromisso ambiental, é o que fazemos todos os dias.

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